sexta-feira, 10 de junho de 2011

Manipulação genética

A manipulação genética é uma temática que exige muita reflexão pois se, por um lado, a genética é capaz de melhorar as condições de vida, permitindo salvar a vida de muitos seres humanos com doenças, por outro lado, é capaz de levar a nossa sociedade ao colapso, ou seja, ameaçar a existência do nosso planeta.

  
A ciência permite não só que um casal possa querer um bebé com a pele mais escura para ajudar na cura de um outro filho que tenha desenvolvido melanoma, mas também que um casal possa escolher a cor dos olhos, a forma do nariz, a forma das orelhas e a forma da boca do seu filho. Contudo, será isto legítimo? Esse bebé que está a ser gerado será um bebé como o primeiro? Ou não passará apenas um bebé a “peças”?

    Os filhos em vez de serem parecidos com os seus pais ou familiares seriam apenas e só o ideal de perfeição criado pelos seus pais, criando assim uma sociedade selectiva, onde só existiriam determinados modelos. E, no fundo, estariam, também, a ir "contra" as leis da Natureza.

    A evolução da ciência é inevitável e incontornável, mas para mim deveria haver certas restrições e não deveria ser utilizada de livre e espontânea vontade.

    Apesar de todos os prós e contras que este assunto pode gerar concordo com o uso da manipulação genética apenas para fins medicinais. Isto porque seria possível combater doenças graves, o que retiraria o sofrimento dos filhos e dos pais, pois nem uns nem outros querem ter doenças. Esta possibilidade de se poder curar doenças que actualmente são incuráveis, seria muito benéfico tanto para os pais como para os filhos. Para os pais uma vez que não teriam mais a dor de ter um filho “diferente", e para os filhos porque provavelmente se sentiriam mais felizes. Por vezes as doenças genéticas são a causa de desprezo e abandono dos pais em relação aos filhos; o que para mim é incompreensível, mas é a realidade. Qualquer outro tipo de manipulação genética é desnecessária, ou seja, as pessoas que querem manipular os seus genes para fins superficiais (por exemplo, para mudar a cor de cabelo, a cor dos olhos, a forma do nariz, a forma da boca, e de qualquer outra característica humana semelhante) devia ser proibida.
Será ética e moralmente correcto ???

Tatiana Machado

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Psicologia de Orientação Escolar e Vocacional

Nos dias de hoje, esta área da psicologia aplicada desempenha o papel de orientar a planificação de vida, neste caso, dos alunos.

Assim, o psicólogo orientador tem como objectivo:
- Acompanhar os alunos no desenvolvimento da sua identidade pessoal;
- Ajudar os alunos a conhecerem as suas capacidades e competências, os seus interesses, necessidades e expectativas, para assim melhor poderem construir o seu projecto de vida.

A função do psicólogo nesta área é:
- Dar a conhecer as características do mundo do trabalho e as exigências de formação, apoiando na tomada de decisão;
- Desenvolver acções de informação e sensibilização para os encarregados de educação sobre as implicações das opções escolares.


Os métodos utilizados pelo psicólogo de orientação escolar e vocacional são:
- Analisar e disponibilizar informação sobre as diversas oportunidades dos percursos escolares;
- Aplicar e avaliar programas de apoio às opções vocacionais e profissionais dos alunos.


No contexto escolar o psicólogo:
- Apoia os professores na avaliação das dificuldades de aprendizagem e desenvolvimento dos alunos;
- Orienta os alunos com necessidades educativas para programas especiais
- Necessita da colaboração dos pais, dos professores e de outros intervenientes especializados, para promover ao aluno uma orientação adequada.





Sabina Azevedo nº31

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Os contextos e o comportamento individual

O contexto de vida de cada um é o conjunto dos seus sistemas e as relações que estabelecem entre si e a sua configuração global; Quando os elementos de um sistema mudam, os elementos noutros sistemas reagem e interagem
 
O nível da pessoa constitui mais um nível com características próprias que vai entrar numa relação recíproca e dinâmica com os elementos do contexto. É a partir desta relação que podemos compreender como emergem
as trajectórias de vida particulares de cada um, e como conceitos fundamentais – a plasticidade, a adaptação e a possibilidade de mudança – desempenham um papel fundamental nesta compreensão; 

 Em cada lugar do contexto existem normas e valores. Em todos estes lugares e interacções existem ainda histórias e significados, mais ou menos imbuídos nos contextos; As normas, os valores e os significados partilhados fornecem importantes pistas sobre a forma como se processam as interacções; A recolha de informação contextual, que os indivíduos permanentemente realizam, serve para regular e adaptar as formas de ser, de sentir e ajustar
o nosso comportamento;
Face a violações das normas e valores, há respostas a estas violações, sendo frequentes as reacções de oposição, rejeição e ridicularização, bem como a manifestação de emoções como embaraço ou culpa; Uma vez que funcionam de forma a preservar e a reproduzir interacções e instituições sociais, normas, valores e significados, tendem a ter um efeito conservador sobre os comportamentos e as práticas sociais. 

A informação contextual, o que cada um percebe como sendo as exigências dos contextos, os significados fornecidos e as interacções reforçadas têm uma influência que varia de pessoas para pessoa;
A forma como cada um experiência os contextos vai fazer variar a influência que estas têm no desenvolvimento dos indivíduos; É a partir dessas interpretações que cada um vai encontrar maneiras de se posicionar nos contextos e de interagir com os outros, assim como de construir significados para as situações e para as experiências vividas neles.

Mesmo quando os elementos do contexto se repetem, a configuração não é a mesma para cada um; Dada a diversidade dos elementos do contexto e das relações e interacções que cada um pode estabelecer no seu seio, mesmo quando se assemelham, a sua configuração global, a sua influência particular em cada indivíduo é sempre diferente e particular; 

As características de cada um são um dos elementos importantes a ter em conta quando se procura compreender o papel dos contextos no desenvolvimento e no comportamento individual; 

Cada um de nós possui características pessoais que, em si mesmas, poderão facilitar ou dificultar a relação que estabelecemos com determinados contextos, mas que não determinam essa mesma relação; A relação entre indivíduo e contexto é ela própria dinâmica, porque depende sobretudo da forma como as suas características interagem. Somos, simultaneamente, seres situados e autónomos;
Embora a influência dos diferentes níveis do contexto e da sua configuração global seja poderosa, o resultado final em termos do desenvolvimento pessoal vai depender das características pessoais dos indivíduos. 
Ricardo Martins

Redes Sociais

Um dos constituintes fundamentais do contexto de cada um são as pessoas, com que estabelecemos relações e que podem estar presentes em um ou mais dos seus contextos. Cada indivíduo possui uma rede de pessoas a quem está ligado e se relaciona, por exemplo, os amigos ou a família. Estas ligações ocorrem através de comportamentos ou interacções particulares.
O conjunto de ligações de uma ou mais redes pessoais ligadas forma uma rede social. Isto contradiz o que muitas pessoas pensam, pois a maioria da população acha que uma rede social é um site na Internet em que nos podemos interagir com outras pessoas, tipo o "Facebook".
As redes sociais podem ser mais estreitas ou mais alargadas, mais ou menos coesas, e mais ou menos capazes de providenciar apoio e mais ou menos necessitadas elas mesmo de suporte. Ou seja, são lugares onde nós, o indivíduo, podemos ir procurar apoio e recursos, e também onde nós temos de disponibilizar os nossos recursos, tornando-nos em prestadores de apoio. Nas relações e nas interacções que estabelecemos com os diferentes membros da rede, damos e recebemos serviços, bens materiais ou apoios afectivos, por exemplo: quando ajudamos um amigo que está com um problema quando o ouves e conversas com ele; somos ajudados quando pedimos a um colega para estudar connosco uma determinada disciplina que temos dificuldades.
Ninguém tem a mesma rede social, ou seja, cada um de nós têm a sua própria rede social. Mesmo os irmãos gémeos têm redes sociais diferentes, pois há sempre qualquer coisa que os diferencia, por exemplo, um parceiro amoroso. 

Efeitos das redes sociais
Os membros de uma rede social de uma pessoa podem ter um impacto positivo na redução de determinados problemas e situações a diversos níveis, como por exemplo: podem fornecer modelos de relações menos problemáticas entre os membros das famílias, podem providenciar contextos onde novas soluções para os problemas ou onde novas alternativas de adaptação possam emergir. Encontrar um emprego, alguém com quem falar sobre uma relação familiar complicada, são alguns exemplos. Infelizmente, nem todas as redes são capazes de fornecer o mesmo apoio e recursos. É normal encontrar pessoas com grandes necessidades cujas redes de apoio são incapazes de fornecer a ajuda de que a pessoa necessita. Muitas vezes, são as próprias redes que estão necessitadas, isto é, o indivíduo acaba por ter de fornecer mais apoio do que aquele que recebe.
Os membros das redes sociais podem exercer a sua influência a diferentes níveis. Parceiros, amigos, familiares, vizinhos, colegas de trabalho, podem afectar os diferentes níveis do contexto, como o apoio que diferentes elementos de uma rede social podem disponibilizar em certas situações. Mas as redes sociais têm uma poderosa influencia no desenvolvimento e comportamento dos indivíduos, que vai para além da sua possibilidade de providenciar ou necessitar de apoio material ou afectivo. As redes sociais são fontes muito importantes de informação sobre o contexto.
As interacções entre os membros das redes sociais ocorrem situadas em contextos sociais mais ou menos formais. Informais como um grupo de amigos que jogam cartas em torno de uma mesa. Formais como uma reunião dos alunos com o director de turma. Manifestam-se e formam-se diversos valores e normas que orientam e influenciam as interacções, que concorrem para a regulação do comportamento das pessoas umas com as outras, para a adaptação e a acção de cada um nos seus contextos sócio-culturais. Eu comparo o meu comportamento com os dos outros, ajo sobre eles e apercebo-me das suas reacções de aprovação ou desaprovação face aos meus comportamentos; interpreto a minha posição e a dos outros e crio sentidos para essas mesma interacções e relações que se estabelecem.

Redes sociais na Internet

Agora sobre as muito faladas e conhecidas redes sociais na Internet. Estas redes são as relações entre os indivíduos na comunicação mediada por computador. Estes sistemas funcionam através da própria interacção das pessoas. Não são mais do que simples ferramentas de comunicação e que proporcionam aos seus utilizadores a capacidade de fazer novas ligações. 
Finalizando deixo aqui uns vídeos bastante interessantes sobre o tema:
 
Jorge Alves

Temos de estar atentos!

O homem está a toda a hora a transmitir todo o tipo de mensagens àqueles que o observam, comunicando. Comunicar (do latim comunicar) significa então pôr em comum, trocar ideias, sentimentos e experiências com outras pessoas. Além de sinais verbais e escritos, nessa comunicação, o ser humano utiliza ainda sinais não-verbais, que constituem aproximadamente 60 a 65% de toda a comunicação interpessoal. Segundo alguns autores, este valor chega mesmo aos 100%, no acto de fazer amor.
A comunicação não-verbal é um meio de transmitir informação através de gestos, toques, postura corporal, movimentos físicos, expressões faciais, paralinguística (tom de voz, velocidade, melodia da voz, articulação e pronúncia), silêncios, roupas e adornos. É através da comunicação não-verbal que transmitimos muitas das nossas emoções e dos nossos sentimentos.
Uma das características da comunicação não-verbal é a sua aplicabilidade universal, ou seja, funciona sempre que existe interacção humana. Pode mesmo dizer-se que os aspectos não-verbais são omnipresentes e confiáveis.
As pessoas nem sempre têm consciência de que estão a comunicar não-verbalmente, logo, a linguagem corporal pode ser mais honesta do que as afirmações verbais de um indivíduo, que são conscientemente construídas para alcançar os objectivos de quem fala. Este aspecto remete-nos para a importância do cérebro humano no processo de comunicação.
O cérebro é uma estrutura tripartida (ideia pioneira de Paul MacLean, em 1952), onde cada componente desempenha funções especializadas. Em conjunto, estas componentes funcionam como o centro de comando e controlo de todas as acções do nosso corpo. São elas o cérebro reptiliano, o cérebro límbico e o neocórtex.
O cérebro reptiliano controla as condições de equilíbrio (homeostase) do organismo, tais como a respiração.
 O Neocórtex é o cérebro humano, pensante ou intelectual, responsável pela cognição e memória de ordem mais elevada. Tem habilidade para criticar, criar, computar, analisar, interpretar e intuir a um nível exclusivo da espécie humana. Assim, em termos comunicacionais, é a parte menos confiável do cérebro.
O cérebro límbico é a parte do cérebro que reage ao mundo à nossa volta de forma reflexa e instantânea, em tempo real e sem pensamento. É considerado por isso o cérebro honesto, pois dá uma resposta verdadeira e genuína aos estímulos do meio. É também o centro das emoções.
No estudo da comunicação não-verbal, o cérebro límbico é onde se situa a acção. Como este é unicamente responsável pela nossa sobrevivência, não faz intervalos, estando sempre em funcionamento. É dali que saem sinais para as outras partes do cérebro, que por sua vez orquestram os nossos comportamentos. Estes comportamentos podem ser observados e descodificados, e manifestam-se fisicamente nos nossos pés, tronco, braços, mãos e cara.
Estas respostas límbicas remontam à nossa ancestralidade como seres humanos, são intrínsecas ao nosso sistema nervoso, tornando-se difíceis de serem disfarçadas ou eliminadas.
Uma das formas clássicas pelas quais o cérebro límbico tem assegurado a nossa sobrevivência como espécie é através do controlo do nosso comportamento ao confrontar o perigo. A resposta do cérebro às aflições e ameaças assumiu três formas: paralisação, fuga e luta.

A reacção de paralisação
Ao longo da evolução o homem primitivo desenvolveu esta estratégia para compensar a vantagem que os grandes predadores tinham sobre ele, paralisando. Ou seja, uma vez que o movimento atraía a atenção, ficar imóvel perante uma ameaça, evitando ser detectado, era a maneira mais eficaz de sobreviver. A reacção de paralisação passou do homem primitivo para o homem moderno. Actualmente, pode ser observada quando as pessoas são apanhadas a enganar, roubar e até a mentir. Salienta-se que as pessoas à nossa volta copiam o nosso comportamento, mesmo sem verem a ameaça (isopraxis). Esta mímica evoluiu porque é crucial para a sobrevivência comunitária e para a harmonia social. Fazer de morto é a derradeira reacção de paralisação.
 As crianças que foram vítimas de abuso manifestam muitas vezes comportamentos límbicos de paralisação. Na presença de um pai ou de uma mãe abusivos, os seus braços ficam em repouso nas laterais e evitam o contacto visual como se isso ajudasse a não serem vistas.

A reacção de fuga
Quando a reacção de paralisação não é adequada para eliminar o perigo (ou seja a ameaça está demasiado próxima), reagimos fugindo. Ao longo da evolução, o ser humano escapava à ameaça distanciando-se do perigo correndo. Na sociedade moderna, é difícil correr perante as ameaças, por isso, adaptámos
a fuga às nossas necessidades. Esta assumiu a forma de bloqueio ou distanciamento da presença física de indivíduos ou de evasão de situações indesejáveis.
Bloquear comportamentos pode manifestar-se na forma de fechar os olhos, esfregar os olhos, pôr a mão à frente da cara, apoiar objectos sobre as coxas ou virar os pés na direcção da saída mais próxima.

A reacção de luta
Quando a pessoa não pode evitar ser detectada paralisando e não pode escapar fugindo, a alternativa que resta é lutar. Logo, esta é a táctica final do cérebro límbico para sobreviver à agressão.
Ao longo da nossa evolução como espécie, desenvolvemos a estratégia de transformar o medo em ira para lutar contra os agressores. Embora umas pessoas sejam mais propensas à violência do que outras, a nossa herança límbica manifesta-se de muitas formas para além de esmurrar, morder ou pontapear. Na sociedade moderna, uma vez que nem é prático, nem legal, desenvolvemos estratégias equivalentes à agressão: argumentar, debater, discutir, insultar, contra-alegar, denegrir o estatuto pessoal e profissional, incitar, sarcasmo. Pode-se ser muito agressivo sem usar a força física usando a postura, os olhos ou violando o espaço pessoal de outra pessoa.
Compreender como as reacções de paralisação, fuga e luta do cérebro límbico influenciam o comportamento não-verbal é apenas uma parte da equação. É importante também ter em conta que sempre que há uma experiência negativa ou ameaçadora, esta será seguida de comportamentos pacificadores. Estes são definidos como acções que servem para nos acalmar depois de passarmos por uma sensação desagradável ou totalmente nociva. Na sua tentativa de voltar às condições normais, o cérebro pede ao corpo para proporcionar comportamentos reconfortantes (pacificadores).
Uma vez que estes comportamentos são sinais externos que podem ser lidos em tempo real, podemos observá-los e descodificá-los imediatamente e dentro do contexto, revelando muito do actual estado de espírito das pessoas, com extraordinária exactidão.
Os comportamentos pacificadores assumem muitas formas: tocar e/ou afagar o queixo, ajustar o nó da gravata, torcer ou manipular um colar, assobiar, falar sozinho, tamborilar os dedos, tocar e/ou afagar a face esfregar a testa, esfregar ou lamber os lábios , afagar a barba, brincar com o cabelo, bocejar em excesso, limpar as mãos nas pernas, ventilar, abraçar o próprio corpo, são alguns dos exemplos.
Os comportamentos pacificadores são muito importantes para um investigador, uma vez que podem ajudar a descobrir uma mentira ou uma informação oculta. Os indicadores de pacificação são mais significativos e confiáveis do que tentar convencer um criminoso a dizer a verdade.
A capacidade de ligar um comportamento pacificador ao elemento que causa o stress pode ajudar na compreensão de pensamentos, sentimentos e intenções de outras pessoas. A nossa herança límbica ensina-nos assim que o mais importante na comunicação é a mensagem que não foi dita. Estejamos atentos!

Ariana Araújo 

Relações Precoces - Bebé e suas competências básicas

            É o desenvolvimento social que capacita o indivíduo para se relacionar afectiva e socialmente com os outros.
            Aquando do seu nascimento, o ser humano caracteriza-se por um ser imaturo, uma vez que o recém-nascido irá depender por muito tempo dos adultos para se alimentar, para a sua higiene, entre outros. 
            Esta imaturidade e as necessidades daí recorrentes, implicam uma relação de proximidade entre os progenitores, que se distingue dos outros animais. Prematuro, necessita de cuidados indispensáveis para sobreviver física e psicologicamente.
           Graças à sua dupla vertente, o ser humano é um ser biologicamente social, pois necessita dos outros para interagir e viver, mas também porque tem necessidades primárias.
           Como o bebé não consegue comunicar devidamente, é através do seu comportamento, ou reacção observável, que este informa a mãe ou alguém próximo do seu desejo de interacção.
O bebé tem várias competências básicas como:
Choro: é um modo eficaz de chamar a atenção. Pode significar dor, fome, aborrecimento ou desconforto. Provoca imediatamente nos adultos reacções de preocupação, responsabilidade e culpa. Força os adultos a reagir e a tentar perceber qual a origem do choro.
Quando começa a perceber o efeito do seu choro nos adultos, e com um pouco mais de idade, o ser-humano chora para tentar obter o que quer.
Sorriso: aparece prematuramente. Das 6 às 12 semanas, o sorriso é produto da comunicação entre o bebé e a figura de vinculação. A partir dos 6 meses, é um acto social, dirigido a figuras preferenciais, pois o bebé não sorri a estranhos.
Vocalizações: funcionam como um estímulo para as vocalizações dos adultos, ou seja, o bebé “fala” para fazer com que os adultos falem também.
Expressões faciais: estas falam por si próprias. O bebé utiliza alguns dos seus encantos para prender a atenção das pessoas que lhe são mais próximas.
O bebé é um ser indefeso a nível físico, mas o choro, o riso e as vocalizações provam que a criança é um ser social desde muito cedo.
Por exprimir as suas vontades, o bebé é um sujeito activo.

Se lhe forem feitas as vontades, o bebé sente-se seguro e apoiado. Caso as suas vontades não sejam de certa forma acatadas, o bebé sente-se insatisfeito, desconfiado e começa a manifestar um comportamento de ansiedade e frustração, o que desencadeará consequências negativas no desenvolvimento psíquico da criança.

Os recém-nascidos estão dotados de mecanismos inatos que lhe permitem desenvolver laços, relacionar-se com o mundo envolvente e estabelecer vínculos.









Adriana Silva

REPRESENTAÇÕES SOCIAIS

O conceito de representação social refere a uma imitação mental. É através da representação que somos capazes de evocar uma pessoa, uma ideia, um objecto ou uma situação na sua ausência.



Exemplo:
É graças á representação mental que somos capazes de pensar em “campo de futebol” e surge uma imagem construtiva por um rectângulo verde, 2 balizas, bancadas a volta, entre outros.



Serge Moscovici


O conceito de representação vai ser desenvolvido por Serge Moscovici, que fundamentou teorias da representação social no inicio da década de 60. Em que publicou, em 1961, A psicanálise, a sua imagem e o seu público, que analisa a forma como esta teoria se adequa ao público em geral.

Exemplo:
Nas sociedades, as mulheres têm uma representação social em que para além de serem mães, desenvolvem uma actividade profissional fora de casa. Mas para as mulheres do séc. XX, seria impensável pois a representação social era ser dona de casa responsável pelos trabalhos domésticos e pela educação dos filhos.

A ELABORAÇÃO DAS REPRESENTAÇÕES SOCIAIS


As representações sociais são indispensáveis nas relações sociais em que faz parte um processo de interacção social, permitindo aos membros de um grupo comunicarem e compreenderem-se.
Sobre a origem, Moscovici identificou dois processos a objectivação e a ancoragem:

Objectivação:
                é um processo através do qual as representações complexas e abstractas se tornam simples e concretas. No processo de objectivação, alguns elementos são excluídos/esquecidos, outros valorizados/desenvolvidos de forma a explicar a realidade de modo mais simples, preciso e comunicável.
Há três fases no processo de objectivação:
  • Construção selectiva;
  • Esquematização figurativa;
  • Naturalização.

Ancoragem:
               corresponde à assimilação das imagens criadas pela objectividade na mentalidade colectiva. Essas representações passam a orientar as relações sociais e comportamentais.

Uma representação social desempenha um papel de filtro cognitivo.

As representações estão marcadas pela cultura e pela sociedade.

 
Exemplo:
Como já foi referido a representação social da mulher na sociedade; a relação pais-filhos; professores-alunos; a representação da infância, da adolescência; etc.
 As representações sociais dão sentido ao que pensamos, em que orientam e regulam o nosso comportamento.

FUNÇÕES DAS REPRESENTAÇOES SOCIAIS
Entre várias funções das representações sociais, destacam-se quatro:
·    Função de saber: as representações sociais dão uma explicação e um sentido á realidade, ou seja, servem para os indivíduos explicarem, compreenderem e desenvolverem acções concretas sobre o real.
·    Função de orientação: a sua função de explicação reflecte ao nível da acção, são um guia dos comportamentos, ou seja, estabelecem práticas na medida em que antecedem o desenvolvimento da acção.
·    Função identitária: as representações sociais permitem ao indivíduo construir uma identidade social, posicionando-se em relação aos outros grupos sociais, ou seja, as representações sociais permitem distinguir o grupo que as origina dos outros grupos.
·    Função de justificação: as representações sociais permitem aos indivíduos explicarem e justificarem as suas opiniões e os seus comportamentos.

INCONFORMISMO E INOVAÇÃO


Inconformismo:
                  é a adopção de conceitos, atitudes e comportamentos que não respondem às expectativas do grupo. As pessoas em que a pertença ao grupo constitui uma parte importante do seu auto conceito têm mais probabilidade de se conformarem devido á influência normativa.

O EFEITO DAS MINORIAS


O efeito da influência da maioria no comportamento de um grupo de indivíduos, que gerada de inovação, quer compreender a influênciada minoria.

Exemplo:

Foi realizada uma experiencia com 6 pessoas. Foram feitos testes para assegurar que tinham percepção adequada das cores e foi explicado que deviam atribuir uma cor às imagens que aparecessem. Numa das circunstâncias da experiencia foram mostradas 24 diapositivos com filtro azul. Duas das seis pessoas são cúmplices do experimentador e, seguindo as suas instruções, são os primeiros a entrevirem e afirmam que a cor é verde. Como os cúmplices são firmes com as suas respostas, 8,4% das pessoas são influenciadas e respondem verde. Mas se as respostas dos cúmplices forem variadas, não há qualquer mudança nas respostas das outras 4 pessoas.

Inovação:
                 quando o processo de influencia social é desenvolvido por uma minoria que aponta as mudanças das normas e regras sociais de um dado grupo.

O processo de influência da minoria por inovação só ocorre quando há conflito.Esta situação gera incerteza, tensão porque a divergência ocorre no interior do grupo, em que depois há a procura de consenso.

Marina Magalhães